Meu mundo é uma dimensão à parte, embora haja uma realidade presunçosa que grita
Meu mundo é uma dimensão à parte, embora haja uma realidade presunçosa que grita
Nua
Eu a tomei por cintura e cabelos
Eu a fiz escrava e Cleópatra
E ouvi da sua boca o chamado do sim
Disfarçado em não
Não permiti espaços entre o eu e o ela
Tomei sua alma com um beijo sem pausa
E a beijei por todo mapa do seu corpo
Viagem sem descanso
Amei a grega escultura móvel dos deuses
Com braços, boca e firmeza nas mãos
Ofegante e trêmula
Escravizei sua cintura
Sussurrei ao pescoço o quanto a queria
Os segredos de sua pele se revelaram
Sobrepus meu corpo ao seu
Entre suas pernas
Braços
Boca
E seios
Encontrei meu caminho
Fui seu pela eternidade da noite
Mãos minhas: teus quadris
Mãos tuas: azulejo
Chuva artificial
Água fria ... Água quente
Escorre em tuas costas
Deságua em minhas pernas
Não estás de frente
Mas vejo meia boca
Queixo
Olhos fechados
Seio rosa
Eu vou
Você vem
A parede: teu apoio
Treme teu corpo
Balança minha visão
Geme em amor
Grita entre os lábios
Beijo teus lábios
Doces lábios os de cima, os debaixo
Jorge Ubiratan
Poder brincar de ser você
De te trazer aqui na minha camiseta
Ver um dia acabar sem querer saber se um outro vai nascer
Beijar e deixar ser
Olhar teus olhos e caras que ainda não sei ler
E te deixar entrar.. pro teu querer dizer porque vem... e se vem...
Poder ir pra depois, só depois saber se quereria voltar...
Aurora
Cansei de querer ou seu falso não querer
Ou supostamente o “querer” que julguei ingenuamente ser querer
Por que se na dança dos olhares e da escrita somos verdade
No campo da verdade somos mito
Se no amanhã não cabe que eu e você sejamos nós
Que sejamos apenas sombra, sejamos sonho, sejamos tudo e
Ao mesmo tempo nada
Faço-me fiel a pós-modernidade líquida
Ao menos no campo das aparências
Melhor a insensatez descompromissada que
A sensatez conservadora que mutila na noção de compromisso
Ainda assim reconheço que ainda te quero a sós
Intimamente
No limite das quatro paredes
Irremediavelmente sem limites
Pra não mais falar de amor...
Jorge Ubiratan
Eu a tomei nos braços
Olhei profundamente seus olhos
E suguei sua alma pela boca
Suguei e fui consumido
Em transe ficamos
A escada fez-se chão vazio
Flutuamos
Em silêncio, somente o som da dança das bocas
No escuro dos olhos fechados
A sensação de invadir
Envolvi todo seu corpo (um braço na cintura, outro na nuca)
E disse com palavras vindas de minhas mãos:
- Quero você agora!
Jorge Ubiratan
"sorte no jogo, azar no amor,
de que me vale sorte no amor se o amor é um jogo
e o jogo não é meu forte, meu amor”
Leminski
Livro interessante:
Amor líquido - Zygmunt Bauman
Fragilidade dos laços humanos (no contexto da pós-modernidade e da sociedade da informação), Medo de relacionar-se, Facilidade de construção de relações frágeis, O peso e a leveza dos relacionamentos, Amor e superficialidade... Em toda essa complexidade, a busca incessante por alguém único, especial e "eterno".
Vale!!!
Olha uma resenha dele (aperitivo): http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=123
Essa é mais uma do Carlos Drummond de Andrade
Obviamente, com lacunas de censura
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu (_ _ _ _ _ _).
Sem que eu esperasse, ficastes de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o (_ _ _ _ _) recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus."
[Drummond]
Tataravô, Indiano
Bisavô, Português
Bisavó, Índia
Avô, Africano
Pai, Caboclo
Quem sou eu?
Nenhum deles
Mas, todos eles e outros mais
Minha identidade?
Está na carteira... Chama-se RG
Jorge Ubiratan
Todo ato de Carolina me interessa
Todo suspiro ou tudo que não dito
Da sua Yoga, do seu samba, mesmo sendo falsa baiana.
Todo sorriso manchado de chocolate.
Dos passos no corredor chegando da chuva
Cabelo molhado e sol no rosto
Da tristeza
Dos olhos de chôro
Da curiosidade
Quando Carolina sorri
Até o samba é mais samba
Quando Carolina chora
Até a chuva é mais chuva
Para ler ouvindo Ah, Se eu vou – Roberta Sá.
Jorge Ubiratan
http://www.youtube.com/watch?v=rbTozgoj9OQ
Cabrón? (Hoje ainda não, ainda...)
A escolha se explica no texto que escrevi com o mesmo nome. Significa "bastardo"... Eu gosto desse nome... é diferente, revela alguém não inserido, fora do campo de visão, da ordem, das expectativas, liberdade e criatividade no sangue. Quanto à imagem da garota ao lado: Simples, quando criei o blog estava sem namorada, achei que ela seria a amante ideal, dei até nome a ela: Désirée, que significa desejo. A que tenho, enquanto não está ainda comigo a que desejo.
Jorge Ubiratan
Cabrón (Bastardo)
Existem vantagens em ser ilegítimo
A maior delas é a liberdade
E se em cada canto me vejo livre
Em sonhos me vejo novo
Não carrego a família, a pátria ou símbolos em meu coração que arde
Carrego sangue, pulsão, vulcão e inquietude
E se em mim existe razão ou racionalismo
São escravos do amante que sou
Jorge Ubiratan